segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Enquanto nós dormimos

O meu olhar percorre a sala

Enquanto a noite cospe a chuva

É o céu que agora escarra

Seu nojo sobre a terra

Torres de concreto e vidro

Nuvens encobrindo a lua

Semáforos, ruas molhadas

Refletem luzes de neon

Viaturas vão ao longe

Ambulâncias vão ao longe

Lentamente caminhamos rumo ao fim

A cada batida cardíaca

Toda vez que respiramos

O inconsciente e inevitável ato

De morrer aos poucos

Sem que percebamos

Cadáveres apodrecendo, crianças nascendo

O tempo trabalha

Devora

Enquanto nós dormimos

(Wilker Duarte)




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Contraceptivos na gaveta

Contraceptivos na gaveta

Faz calor, abro a janela

Há pernilongos

Vodka barata

E um cinzeiro quase cheio

Guardanapos, camarões

Guarda-roupas, ilusões

De consumo

Conquista

Conforto

Um trago a mais um trago a menos

As pessoas que perdemos

Para a morte

Para amantes

Mais interessantes que nós

Faz Calor, fecho a janela

Há pernilongos

Vodka barata

E um cinzeiro quase cheio

Beatles, Beethoven, Barão vermelho

(Wilker Duarte)

Estranha Vida



Trafegam os carros, correm os homens

Como é estranha a vida!

A tarde azul, a rua cheia

E tanta solidão, tanto cansaço

Céus! Como evitar?

Os bares cheios de homens cheios

Do mesmo vazio

Observa, há cruzes em seus ombros!

E em silencio sofrem

E em segredo choram

São meus primos, meus pais e meus amigos

Meus irmãos que já morreram

Que ainda não nasceram

São meus filhos, são seus filhos

Eles são você e eu

(Wilker Duarte)